CheesecakeGames
The Empty Desk decepciona. O jogo promete um thriller psicológico de investigação em primeira pessoa, mas entrega um loop mecânico de apontar a câmera e fotografar objetos marcados, sem nenhum momento real de dedução ou raciocínio. Se você está procurando um jogo de detetive que desafie de verdade, esse não é.
Desenvolvido pela CheesecakeGames, The Empty Desk coloca você na pele de Bennett, um detetive chamado para investigar o desaparecimento de Emily Blackthorn dentro da sede da empresa do pai em Londres. A premissa funciona no papel, um prédio corporativo cheio de segredos, um caso sombrio, temas de esgotamento e saúde mental. Mas nada disso se traduz em uma jogabilidade significativa.
The Empty Desk gameplay: como funciona a investigação
A investigação de The Empty Desk se resume a um ciclo: andar pelos ambientes, encontrar objetos pré-determinados e fotografá-los. Não existe dedução. Não existe lógica.
Não existe nenhuma etapa onde você precise pensar para avançar. O jogo faz o trabalho interpretativo por você, sua única função é apontar a câmera.
Se perder alguma pista, você volta pro começo da área. O alívio é que as fotos já tiradas ficam registradas. Mas isso não muda o fato de que o gameplay é vazio e mecânico do início ao fim.

The Empty Desk tem puzzles de verdade?
Não. O mais elaborado pede pra você encontrar um código numérico que está escrito num papel como o ano 1974. Outro pede pra combinar rostos de funcionários com fichas, reconhecimento visual básico, não um enigma. Tem uma repetição do mesmo formato com fitas VHS: quatro nomes numa lista, encontre e fotografe. Nada exige raciocínio lateral ou lógico.
O marketing promete “puzzles integrados à narrativa” e “exploração psicológica de saúde mental e esgotamento”. Na prática, os temas existem como pano de fundo e nunca são aprofundados. A “narrativa profunda” anunciada é rasa e previsível.
E a “atmosfera tensa” se limita a um trecho no final onde a realidade distorce levemente, e que se torna mais irritante do que assustador ao te obrigar a procurar chaves minúsculas.
Ainda tem uma contradição na descrição oficial: o jogo se apresenta como “experiência completa do começo ao fim” e ao mesmo tempo anuncia que é o primeiro capítulo de uma série. Se é um capítulo, não é a história completa.
The Empty Desk usa inteligência artificial nas dublagens e na arte
A desenvolvedora admite usar IA para vozes, localização e elementos 2D. O resultado é visível, e ruim. As dublagens são robóticas e artificiais (dá pra desligar, e eu recomendo).
A localização está cheia de americanismos que não combinam com uma história em Londres. E a arte 2D gerada por IA destoa brutalmente dos cenários 3D feitos por humanos.
Tem um momento em que mãos te agarram por trás, mãos 2D geradas por IA num mundo 3D. Parece paródia. Os jumpscares usam essa mesma estética plástica e arrancam mais risadas do que medo.
The Empty Desk se passa em Londres, mas não parece Londres
Para um jogo ambientado em Londres, nada convence. Os prédios vistos pelas janelas parecem Nova York, o carro de polícia no final não é britânico, os retratos dos personagens são americanizados.
O diálogo não soa como algo que um londrino diria. A localização feita por IA é a grande culpada, o cenário inteiro falha em transmitir qualquer autenticidade britânica.
Se a desenvolvedora tivesse ambientado o jogo numa cidade americana genérica, ninguém perceberia a diferença. E talvez funcionasse melhor.
Quanto tempo dura The Empty Desk
Entre duas e três horas, sendo que boa parte da última hora é gasta no trecho final procurando chaves minúsculas num ambiente distorcido. The Empty Desk é curto, e a duração reflete a escassez de conteúdo real.
Não há rejogabilidade, e a experiência não deixa vontade de acompanhar os próximos capítulos prometidos. Se você busca jogos de terror em primeira pessoa que usem melhor o seu tempo, confira nossa cobertura de jogos com análises mais detalhadas.