A Capcom completou 43 anos em 11 de junho, e seu presidente, Haruhiro Tsujimoto, usou a data para explicar como a empresa saiu de um escritório-galpão em Osaka, com cinco funcionários, para se tornar uma das potências globais dos videogames. Em entrevista ao Famitsu, o executivo detalhou as decisões estratégicas que moldaram a companhia por trás de franquias como Resident Evil, Monster Hunter e Street Fighter.
Tsujimoto, que começou na Capcom ainda como estagiário em meados dos anos 1980, atribui boa parte da identidade da empresa a uma filosofia repetida desde a fundação pelo presidente do conselho, Kenzo Tsujimoto: se não for divertido, não vende. Segundo ele, essa mentalidade nasceu na era dos arcades, quando um jogo sem graça simplesmente deixava de receber moedas, uma pressão que forçou a empresa a refinar obsessivamente a jogabilidade.
A decisão que transformou a Capcom
Para o presidente, a virada mais importante foi abandonar o chamado desenvolvimento “personalista”, em que cada franquia dependia de um único criador. Como empresa de capital aberto, a Capcom concluiu que essa dependência era um risco.
A solução, segundo Tsujimoto, foi radical: reconstruir cada título a partir do zero e migrar para um modelo de desenvolvimento em equipe, mesmo aceitando uma eventual queda de vendas no curto prazo.
O resultado, na visão do executivo, é a regularidade atual: novos Resident Evil lançados periodicamente, Monster Hunter saindo a cada dois anos e Street Fighter 6 com suporte estendido. Como o conhecimento fica na equipe, e não em uma só pessoa, o know-how passa de geração em geração.
Novas IPs e o caso Pragmata
Tsujimoto destacou que a aposta em propriedades inéditas continua central. Ele citou Pragmata, lançado em abril de 2026, como símbolo desse esforço coletivo: o jogo ultrapassou 1 milhão de cópias e, depois, 2 milhões, levando a equipe a celebrar com ilustrações e vídeos especiais nas redes. Para o presidente, encarar novos desafios é obrigatório para o crescimento da empresa.
O executivo também apontou a transição para as vendas digitais, iniciada de forma intensa em 2017, como fator que destravou recursos. Ele revelou que Resident Evil 7 seguiu vendendo forte mesmo anos após o lançamento, com 2,6 milhões de cópias só em 2025, alimentando o caixa que financia novos projetos. Tudo, segundo ele, sustentado por uma gestão orientada por dados: “os números não mentem”.
eSports, multimídia e o retorno de Mega Man
Tsujimoto comentou ainda a estratégia de eSports de Street Fighter 6, com a aposta no formato de “competição por equipes” para formar novos talentos, e a filosofia de “one content”, que conecta jogos, animações, colaborações de moda e até pachislot.
Entre os planos futuros para a Capcom, confirmou um novo capítulo de uma franquia clássica: Mega Man: Dual Override, previsto para 2027, acompanhado de ações de marca para um personagem reconhecido até por quem não joga.
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