DALOAR
Tem jogos que a gente termina e segue em frente sem pensar duas vezes e The Occultist não é um desses. Faz dias que terminei e ainda fico pensando no que poderia ter sido diferente, tanto no bom sentido quanto no ruim.
Desenvolvido pela DALOAR como primeiro título do estúdio, The Occultist é um thriller narrativo de horror ambientado em uma ilha isolada onde absolutamente nada deu certo antes da sua chegada. E sim, você vai descobrir exatamente o que foi esse “nada”, detalhe por detalhe, fantasma por fantasma.
The Occultist começa forte e mantém a promessa narrativa até o fim
Você é Alex, ocultista, filho em busca do pai desaparecido. Chega à ilha. Não tem ninguém vivo. Tem um pêndulo mágico no bolso e um caderno que vai enchendo de anotações conforme os mistérios aparecem. A premissa é simples o suficiente para entrar rápido, mas a execução tem camadas que demoram a se revelar, e quando revelam, vale a espera.
O que The Occultist narra é, no fundo, uma história sobre as consequências que as pessoas se recusam a ver até que seja tarde demais. Tem melancolia, tem peso, tem aquele tipo de atmosfera que gruda na cabeça depois que você desliga o computador. Para um primeiro jogo de um estúdio novo, isso não é pouca coisa.
O pêndulo transforma The Occultist em algo maior do que parece
A mecânica que diferencia The Occultist de outros jogos do gênero é o pêndulo mágico, e ele é usado com inteligência. Com ele você revela pistas invisíveis, manipula o tempo em situações específicas e chama criaturas para ajudar na resolução de enigmas. Não é enfeite. É a espinha dorsal da exploração.
Os puzzles construídos em torno dessa ferramenta são, na maior parte do tempo, o melhor que The Occultist tem a oferecer. Desafiadores sem serem cruéis, integrados ao ambiente de forma que faz sentido com a lógica do jogo. Quando um puzzle clica, a satisfação é genuína.
Quando não clica, aí é outra conversa. Alguns momentos exigem uma precisão irritante para registrar a ação corretamente, e isso quebra o ritmo num jogo que depende muito do fluxo narrativo para funcionar.
O maior problema de The Occultist tem nome: fantasmas hostis
Vou ser direta: os fantasmas hostis são rasos demais para um jogo chamado The Occultist. Eles seguem rotas fixas. Não desviam. Escapar deles é trivial, basta entrar num cômodo e esperar. Nenhuma tensão, nenhum perigo real, nenhum motivo para o coração acelerar.
O que frustra é que o pêndulo, com tudo que ele já faz, poderia facilmente ter sido expandido para incluir alguma forma de interação com essas entidades. Congelar, repelir, algo. The Occultist deixa essa porta fechada sem explicação convincente, e a experiência é menor por isso.
Visualmente, The Occultist sabe exatamente o que quer ser
Os cenários são bem pensados. O hospital e o orfanato criam desconforto de forma orgânica, é o tipo de espaço que te faz caminhar devagar mesmo quando não há perigo imediato. As áreas mais abertas têm um silêncio pesado que funciona à sua maneira. The Occultist não precisa gritar para incomodar, e isso é uma escolha de design que respeito.
O som segue a mesma linha: discreto, funcional, presente. Os diálogos cumprem o papel, embora a frieza constante de Alex em situações que assustam qualquer mortal normal chegue a incomodar.
The Occultist vale a pena?
Vale, com expectativas calibradas. Se você entra em The Occultist buscando narrativa densa, atmosfera bem construída e exploração que exige raciocínio, vai sair satisfeita. Se você quer sustos de verdade e ação que pulsa, The Occultist não é esse jogo.
É uma estreia que mostra muito mais talento do que tropeços. Fica na lista de desejos agora e, numa promoção, vai direto pro carrinho.
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Pontos positivos
- Narrativa densa e envolvente
- Atmosfera bem construída
- Mecânica do pêndulo criativa
- Puzzles bem integrados ao ambiente
Pontos de atenção
- Fantasmas hostis rasos e previsíveis
- Alguns puzzles exigem precisão excessiva
- Pêndulo poderia ser mais explorado