Everplay DMCC
Quem jogou XCOM vai se sentir em casa nos primeiros minutos de Warhounds. Grade tática, sistema de cobertura, overwatch, flanqueamento, está tudo ali.
E o playtest até mostra que a base funciona. O problema é que, fora essa base, quase nada se sustenta por enquanto.
O combate funciona, mas os mercenários são genéricos
A mecânica central de Warhounds é combate tático por turnos em grid, e ela entrega o mínimo com competência. Você se movimenta entre coberturas, posiciona seus soldados para flanquear e usa overwatch para interceptar inimigos que se mexem. Até aqui, funciona.
Um detalhe que gostei: o jogo promete menos frustração com RNG do que XCOM, e entrega. As porcentagens de acerto parecem justas, um tiro com 75% de chance realmente conecta parcialmente, tirando alguns pontos de dano em vez de errar por completo. Isso permite montar estratégias de desgaste que fazem sentido.
O problema está nos mercenários que você contrata. Eles são rasos: só atiram e jogam granadas, sem qualquer personalidade mecânica. Todos se sentem iguais. Os personagens do tutorial têm habilidades mais interessantes, como dar pontos de turno a aliados ou destruir coberturas com tiro pesado, mas no playtest isso acaba rápido. Se o jogo completo não entregar variedade de classes e customização de soldados, vai ser difícil segurar a atenção.

Apresentação crua e dublagem sofrível
Visualmente, Warhounds é funcional, mas não impressiona, e mesmo assim roda mal. Se máquinas que aguentam títulos mais exigentes a 120 fps engasgam aqui pra manter 60, tem algo errado. Otimização é claramente algo que precisa de atenção até o lançamento.
A escrita e a dublagem são os pontos mais fracos. Os diálogos soam artificiais e, em alguns momentos, involuntariamente engraçados. A atuação de voz é travada e sem naturalidade, com conversas entre personagens que simplesmente não encaixam. Parece gente lendo o roteiro pela primeira vez. É o tipo de coisa que quebra a imersão mesmo num tático onde a narrativa costuma ser secundária.
Outro detalhe que vale mencionar: o playtest usa imagens geradas por IA como placeholders. Se forem substituídas por arte original no lançamento, tudo bem. Se não, vai incomodar muita gente.
Warhounds vale a pena ficar de olho?
No estado atual, é cedo para recomendar. O playtest é curto, um tutorial, uma missão solo e pronto, e o que entrega, embora sólido na mecânica central, é genérico no resto. Warhounds tem os ossos de um bom tático por turnos, mas precisa de carne, polimento e otimização antes de se comparar com os jogos que claramente o inspiraram.
O lançamento completo está previsto para 2026 na Steam. Se curte o gênero, vale colocar na lista de desejos e acompanhar. Mas com cautela.
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