REVIEW | Deepest Trench desperdiça uma ótima ambientação submarina
Joguei Deepest Trench esperando uma aventura cooperativa em que comunicação e tensão realmente fizessem diferença. A ideia de dividir funções dentro de um submarino, explorar instalações submersas e administrar oxigênio parecia adequada para criar aquela sensação constante de perigo. Na prática, porém, boa parte dessa pressão veio dos controles e não do próprio fundo do mar.
A história acompanha dois personagens divorciados obrigados a trabalhar juntos em uma operação militar subaquática. O problema é que a relação entre eles segue caminhos previsíveis demais, com diálogos que insistem em conflitos e aproximações já vistos inúmeras vezes. O antagonista também não ajuda muito, funcionando mais como alguém que precisa ser o vilão da vez do que como uma ameaça realmente interessante.
Trabalhar em dupla deveria ser a parte divertida de Deepest Trench
O cooperativo é claramente uma das ideias centrais de Deepest Trench, principalmente quando o controle do submarino é dividido entre os jogadores. Um depende do outro para navegar, reagir aos perigos e avançar pelas áreas.
No papel, isso deveria criar ótimos momentos de comunicação. Durante as partidas, senti mais que estávamos tentando compensar um sistema pouco preciso. A movimentação é pesada, os comandos nem sempre respondem como esperado e situações simples podem virar uma discussão sobre quem deveria ter feito o quê.

Os encontros com tubarões pioram essa sensação. Virar, mirar e reagir leva tempo demais, enquanto os inimigos atacam rapidamente. Muitas mortes parecem acontecer antes de existir uma oportunidade real de responder, e ter que repetir partes da fase torna tudo ainda mais cansativo.
Oxigênio, baterias e corredores demais
A exploração também começa a perder força quando as missões se alongam. Há muitos corredores parecidos, buscas por objetos e trechos de submarino que poderiam terminar bem antes.
O medidor de oxigênio deveria aumentar a tensão, mas para mim acabou virando mais uma tarefa para administrar. Parar constantemente em pontos de recarga não torna a exploração mais assustadora; apenas interrompe o ritmo.
Os puzzles seguem o mesmo problema. Em vez de recompensar observação ou raciocínio, alguns são pouco claros e acabam levando à tentativa e erro. Quando o próprio controle já exige paciência, encontrar mais uma barreira mal explicada deixa a experiência ainda mais desgastante.
Há bons momentos debaixo d’água
Nem tudo funciona mal. Existem algumas paisagens submarinas que realmente fazem valer a pena parar por alguns segundos para observar, e a trilha sonora acompanha bem esses momentos. A ambientação poderia facilmente sustentar uma aventura muito melhor.
É justamente por isso que Deepest Trench incomoda tanto. Eu conseguia enxergar o jogo cooperativo que poderia existir ali, mas quase sempre alguma decisão de design aparecia para atrapalhar.
Com controles mais precisos, puzzles mais claros e missões menos arrastadas, a exploração submarina teria muito mais força. Do jeito que está, Deepest Trench consegue transformar uma missão no fundo do oceano em algo mais cansativo do que perigoso.




