Parasomnia usa o survival horror clássico para criar algo próprio
YAN魇: PARASOMNIA me chamou atenção logo pela câmera fixa. Não por nostalgia pura, mas porque o jogo entende por que esse recurso funcionava tão bem em survival horrors antigos: o enquadramento esconde informação, limita a visão e faz qualquer corredor parecer mais perigoso do que realmente é.
O playtest se passa em ambientes inspirados no sudeste asiático do final do século XX, com destaque para um bloco de apartamentos decadente. A arquitetura, os azulejos, as grades e até a proporção dos corredores ajudam a construir um lugar que parece específico, e não apenas mais um prédio escuro feito para jogo de terror.
Na história, os irmãos Wan investigam desaparecimentos ligados ao Domínio Espiritual. O caminho envolve espíritos, superstições e entidades baseadas no folclore malaio-chinês, mas o mais interessante é que essas referências não estão ali apenas como decoração.
O folclore interfere na forma de jogar em Parasomnia
Nem todo espírito encontrado deve ser tratado como inimigo. Algumas entidades podem ser hostis, outras permitem interação, e entender essas diferenças faz parte da exploração.
Pequenas ações também podem interferir na narrativa. Ajudar um personagem, atender ou ignorar determinados pedidos e até interações aparentemente insignificantes podem ter consequências posteriores. O jogo pretende usar essas escolhas para determinar diferentes resultados no final.
Isso dá mais peso à exploração. Em vez de apenas procurar chaves e resolver puzzles, comecei a prestar atenção no que estava fazendo e em quem encontrava pelo caminho.
As influências de Resident Evil e Parasite Eve são fáceis de perceber. Há inventário limitado, exploração de ambientes fechados e aquela sensação constante de que cada porta pode levar a alguma coisa desagradável. Ao mesmo tempo, a movimentação tenta ser mais moderna e evita simplesmente reproduzir os controles rígidos dos anos 90.
A atmosfera já funciona melhor que o acabamento
O áudio também ajuda bastante. A trilha mistura elementos tradicionais com sons eletrônicos e, principalmente, sabe usar momentos de silêncio. Para mim, isso funcionou melhor do que encher cada corredor de efeitos tentando avisar que alguma coisa assustadora está prestes a acontecer.
Parasomnia ainda é claramente um projeto em desenvolvimento. Algumas texturas e iluminações parecem provisórias, as animações estão rígidas e certos puzzles poderiam comunicar melhor o que esperam do jogador. Em alguns momentos, resolver algo depende mais de tentativa e erro do que de observar o cenário.
Mesmo assim, saí do playtest mais interessado em Parasomnia do que entrei. Não porque ele simplesmente imita os survival horrors clássicos, mas porque usa aquela estrutura para contar uma história ligada a uma cultura que raramente recebe esse espaço no gênero.
A câmera fixa chama atenção primeiro. O folclore em Parasomnia é o que faz querer continuar.




