Confesso que Anomaly President me ganhou antes mesmo de eu entender direito o que estava acontecendo. A primeira coisa que chama atenção é a direção de arte em pixel art 2.5D, cheia de cores e personagens que parecem ter saído de um desenho particularmente esquisito. A segunda é a premissa: durante o dia, você faz campanha para virar presidente; à noite, larga a política de lado e sai por aí matando monstros.

É uma combinação tão absurda que fica difícil não querer experimentar.

E o mais curioso é que o jogo consegue fazer essa mistura funcionar melhor do que eu esperava. Ainda não acho que ele tenha profundidade suficiente para competir com os grandes nomes do gênero roguelite, mas tem personalidade de sobra — e isso já coloca Anomaly President em uma posição bem interessante.

De candidato a guerreiro em questão de minutos

A estrutura do jogo é dividida entre dia e noite, e essa alternância é o que mantém a experiência interessante.

Durante o dia, estou no modo candidato. Preciso conquistar votos, conseguir apoiadores e cuidar da campanha para tentar chegar à presidência. É uma parte mais tranquila, que funciona quase como uma preparação para o que vem depois.

Quando chega a noite, esquece a eleição. É hora de escolher como quero lutar e enfrentar ondas de inimigos.

E aqui está uma das coisas que mais gostei: posso assumir diferentes estilos de combate. Dá para seguir pelo caminho do espadachim, apostar em um cyber mage ou misturar essas possibilidades para criar uma build que faça sentido para aquela partida.

Essa mudança de ritmo é simples, mas funciona. Depois de passar um tempo tomando decisões relacionadas à campanha, entrar em uma arena e começar a destruir monstros dá uma sensação quase catártica.

O combate é divertido, mas não espere uma revolução

A parte de ação funciona bem, principalmente quando começo a experimentar diferentes combinações e builds. Cada escolha muda um pouco a maneira como encaro as noites, e isso dá aquele impulso clássico dos roguelites de pensar “só mais uma tentativa”.

Por outro lado, foi justamente aqui que senti que o jogo poderia ir um pouco além. Anomaly President não está reinventando o combate roguelite. Quem já jogou muitos títulos do gênero provavelmente vai reconhecer várias das ideias apresentadas.

Não vejo isso necessariamente como um problema. O combate é gostoso, existe espaço para experimentar e a progressão funciona. Só não entre esperando encontrar um sistema extremamente profundo ou cheio de mecânicas que você nunca viu antes.

A grande sacada de Anomaly President está muito mais na combinação das coisas do que em alguma mecânica individual.

jogo Anomaly President
Phew Phew Games

A direção de arte rouba a cena em Anomaly President

Se tem uma coisa que eu não consigo ignorar é o visual.

A pixel art 2.5D é provavelmente o maior argumento de Anomaly President. O jogo é colorido, cheio de personagens simpáticos e tem uma identidade visual que aparece imediatamente na tela. É daqueles títulos em que eu consigo reconhecer uma imagem sem precisar ver o nome para saber de qual jogo veio.

E gosto particularmente do contraste entre essa aparência quase fofinha e a quantidade de monstros que você precisa massacrar durante as noites.

Mesmo quando a tela fica cheia de inimigos, o jogo consegue manter uma boa leitura da ação. Isso é importante em um roguelite, porque de nada adianta ter um visual bonito se você não consegue entender o que está acontecendo no meio da pancadaria.

Aqui, a estética não parece estar ali apenas para enfeitar. Ela é uma parte importante da personalidade do jogo.

O problema é fazer as duas metades crescerem juntas

Minha principal dúvida com Anomaly President está justamente na sua maior qualidade.

A ideia de misturar campanha eleitoral com roguelite é ótima, mas isso também significa que o jogo precisa fazer as duas partes valerem a pena. Se uma delas começar a parecer apenas um intervalo entre as batalhas, a estrutura pode perder força depois de algumas horas.

Foi um pouco essa sensação que tive em alguns momentos. A campanha política é interessante por causa da proposta, mas a parte de combate é claramente onde está a maior diversão. Eu gostaria de ver mais profundidade nas decisões tomadas durante o dia para que elas tivessem um impacto ainda maior nas noites.

Ainda assim, a fórmula funciona o suficiente para me deixar curioso sobre até onde o estúdio pode levar essa ideia.

Anomaly President vale a pena?

Eu gostei de Anomaly President justamente porque ele não tem vergonha de ser estranho. Um candidato à presidência que passa a noite lutando contra monstros como um cyber mage não deveria funcionar tão bem quanto funciona, mas a combinação acaba criando um roguelite com uma identidade muito própria.

O combate é divertido, embora não seja o ponto mais inovador do gênero, e a campanha eleitoral ainda poderia ter mais profundidade. Mas quando tudo se junta, principalmente com aquela direção de arte maravilhosa, fica difícil não querer jogar mais uma partida.

Se você gosta de roguelites e não se importa em experimentar algo um pouco fora da curva, eu colocaria Anomaly President no radar. Ele talvez não seja o roguelite mais profundo que você vai jogar este ano, mas é certamente um dos mais fáceis de lembrar.

E, sinceramente, quantos jogos podem dizer que transformaram uma eleição presidencial em desculpa para sair na espada contra monstros à noite?