Eu tenho uma fraqueza por jogos de mistério que deixam você fuçar onde não deveria. Se existe uma gaveta suspeita, um bilhete escondido ou algum objeto que claramente não deveria estar ali, pode ter certeza de que eu vou mexer. This Bed We Made praticamente constrói seu jogo inteiro em cima dessa curiosidade.
No papel, a ideia parece simples: você é Sophie, uma camareira trabalhando em um hotel de luxo nos anos 1950. Entre uma cama arrumada e outra, ela começa a perceber que os hóspedes do quinto andar escondem muito mais do que aparentam. E, claro, Sophie não consegue simplesmente deixar isso para lá.
Foi justamente essa curiosidade que me prendeu. Quanto mais eu descobria, mais queria saber onde aquela história ia parar.
Ser camareira nunca foi tão suspeito em This Bed We Made
O mais divertido em This Bed We Made é que investigar faz parte do próprio trabalho de Sophie. Você entra nos quartos para arrumar camas, limpar banheiros, recolher objetos e, enquanto faz tudo isso, começa a prestar atenção nas coisas que os hóspedes deixaram para trás.
E vamos combinar: ninguém joga um jogo de investigação para simplesmente passar pano no banheiro.
Aos poucos, começo a abrir gavetas, olhar fotografias, ler cartas e juntar pistas que não parecem ter relação nenhuma. O jogo consegue transformar uma tarefa banal em uma desculpa perfeita para eu bisbilhotar a vida alheia.
Os quebra-cabeças não são particularmente difíceis, mas isso não me incomodou. Eles servem mais para manter a investigação andando do que para fazer o jogador ficar meia hora olhando para a mesma porta tentando descobrir como abri-la.

A história foi o que mais me segurou
A narrativa é o grande motivo pelo qual eu recomendaria This Bed We Made. Existem vários mistérios acontecendo ao mesmo tempo, e nem tudo gira em torno de uma única pergunta. Conforme Sophie vai juntando as peças, outras histórias começam a aparecer.
Gostei principalmente dos personagens. Mesmo quando eu não concordava com alguma atitude deles, quase sempre havia alguma coisa que me fazia querer descobrir mais. O jogo também permite escolher um aliado, Beth ou Andrew, e essas relações acabam influenciando algumas situações e até possíveis romances.
As escolhas de diálogo ajudam a dar a sensação de que Sophie não está apenas seguindo um roteiro fechado. Dependendo de como você conduz certas conversas e investigações, algumas coisas podem terminar de maneira diferente.
E aqui entra uma das poucas coisas que realmente me incomodaram.
Eu queria conhecer mais gente naquele hotel
Apesar de ter personagens interessantes, This Bed We Made esbarra bastante na forma como apresenta parte deles. Algumas pessoas importantes para a história praticamente existem apenas por meio de fotografias, anotações ou conversas.
Isso me incomodou porque o hotel deveria ser um lugar cheio de gente. Em vez disso, muitas vezes Sophie parece estar trabalhando em um hotel fantasma.
Eu entendo que estamos falando de um projeto indie e que criar modelos, animações e cenas para todos os personagens custa caro. Mesmo assim, fiquei com aquela sensação de que algumas pessoas que tinham importância na história mereciam aparecer de verdade.
O final também me deixou um pouco dividida. Não vou entrar em spoilers, mas achei que ele chegou rápido demais depois de tudo que eu tinha descoberto. Passei boa parte do jogo investigando os segredos dos personagens e queria ter mais tempo para ver as consequências dessas descobertas.
O visual de This Bed We Made tem altos e baixos
A ambientação do hotel é, para mim, um dos pontos mais legais do jogo. A decoração, os quartos e os corredores conseguem transmitir bem aquela atmosfera dos anos 1950, e eu gostei bastante de simplesmente andar pelos ambientes procurando pistas.
Os personagens, por outro lado, são outra história.
Alguns modelos têm expressões bastante artificiais e pouca movimentação facial, o que tira um pouco da vida das cenas. É especialmente estranho porque os cenários são bonitos e detalhados o suficiente para fazer os personagens parecerem ainda mais deslocados.
Afinal, This Bed We Made ainda vale a pena?
Para mim, vale. Principalmente se você gosta de mistérios em que investigar cada pequeno detalhe faz parte da diversão.
This Bed We Made não tem os gráficos mais impressionantes do mundo e algumas limitações do orçamento ficam bem aparentes, principalmente nos personagens. Também acho que o final poderia ter respirado um pouco mais.
Mas, quando um jogo consegue me fazer entrar em um quarto pensando “vou só pegar essa pista” e sair vinte minutos depois tendo investigado praticamente a vida inteira daquele hóspede, alguma coisa ele está fazendo certo.
Eu gostei de acompanhar Sophie, gostei de montar as peças do quebra-cabeça e, principalmente, gostei da sensação de que sempre havia alguma coisa escondida atrás da próxima porta.
Se você curte jogos de mistério, investigação e escolhas, This Bed We Made merece uma chance. É uma experiência pequena, mas tem personalidade — e, para mim, isso vale muito mais do que um jogo enorme que não consegue me fazer ter curiosidade sobre o que vem depois.
