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Trocar lâmpada, reconectar fiação, consertar tomada, no papel, Electrician Simulator VR soa como a definição de tédio. Mas na prática, algo acontece entre o primeiro trabalho e o vigésimo que te faz continuar aceitando chamados mesmo quando já fez a mesma tarefa dez vezes.
E esse algo são as histórias absurdas que o jogo esconde por trás de cada serviço.
Os trabalhos são simples, mas o ciclo vicia em Electrician Simulator VR
Você monta sua própria empresa de eletricista, escolhe nome e logo, e começa a atender chamados do bairro. Os trabalhos se dividem em dois tipos: os presenciais, onde você vai até a casa do cliente, e os de oficina, onde conserta eletrônicos enviados por e-mail.
Os presenciais envolvem desde trocar lâmpadas até instalar fiação completa, passando por tomadas, interruptores, lustres e ventiladores de teto. O processo é sempre o mesmo: desligar a energia no quadro, desmontar, reconectar e testar.
Os de oficina são mais simples, desmontar o aparelho, identificar o problema, trocar a peça e remontar. Ambos exigem comprar materiais do próprio bolso antes, o que cria uma gestão de dinheiro que adiciona uma camada de estratégia leve ao loop.
Em VR, tudo faz mais sentido. Os controles que eram travados na versão de console ficam naturais aqui, e a precisão que o trabalho exige combina perfeitamente com o rastreamento de mãos. Dá pra sentir que o jogo sempre foi pensado para VR.

As histórias por trás dos chamados são o ponto alto de Electrician Simulator VR
O que transforma Electrician Simulator VR de “mais um simulador” em algo genuinamente divertido são as narrativas escondidas em cada trabalho. Logo no começo, você recebe um chamado para remover todas as lâmpadas e quebrar as luminárias de uma casa.
Estranho, mas pagam bem. O e-mail menciona pra ignorar os “móveis incomuns”, acabaram de se mudar da Romênia. Quando você chega, a casa tem caixões nos quartos e decoração de morcegos. Vampiros.
Alguns trabalhos depois, outro cliente reclama que voltou de férias e encontrou todas as lâmpadas sumidas, luminárias quebradas e morcegos dentro de casa. Você aceita o trabalho e é a mesma casa. Essa conexão entre os chamados me fez rir alto e esquecer que estava fazendo a mesma tarefa pela enésima vez.
A trilha sonora parece de outro jogo
Se tem algo que destoa em Electrician Simulator VR, é a música. Não existe coerência na trilha: num momento é música de elevador, no outro é atmosférica e sinistra sem motivo algum, e de vez em quando toca algo que mal se qualifica como música.
Parece uma seleção aleatória de faixas jogadas no jogo sem critério. A dublagem dos e-mails é uma adição bem-vinda que compensa um pouco, mas a trilha continua sendo o ponto mais fraco.
Visualmente, o jogo não impressiona, mas tem charme. Roda liso no Meta Quest 2 sem engasgos, e alguns detalhes sazonais nas casas surpreendem positivamente.
Conteúdo de sobra para quem se viciar
São dezenas de trabalhos entre presenciais e oficinas, com possibilidade de refazer qualquer um. Tem um modo infinito com estágios gerados proceduralmente para quem quer continuar após o conteúdo principal, e dá pra gastar dinheiro decorando sua própria casa.
A repetição das tarefas é real e vai te pegar em algum momento. Mas as histórias criativas, os controles naturais em VR e a quantidade de conteúdo fazem de Electrician Simulator VR uma recomendação sólida para quem curte simuladores ou procura algo diferente no headset.
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