REVIEW | Roguematch : The Extraplanar Invasion aposta na criatividade, mas tropeça na execução
Roguematch: The Extraplanar Invasion tenta unir match-3, dungeon crawler e roguelike no PS5. Veja análise completa de gameplay, combate, sistemas e se a mistura realmente funciona.
Misturar match-3 com dungeon crawler e elementos de roguelike é daquelas ideias que, no papel, parecem ouro puro. Roguematch : The Extraplanar Invasion, disponível em diversas plataformas, aposta justamente nessa alquimia de gêneros para se destacar em um mercado saturado de fórmulas repetidas. E, de fato, o jogo não sofre de falta de ideias, o problema é como elas se organizam (ou deixam de se organizar).
Você controla um herói de visual cartunesco, explorando uma estrutura misteriosa em formato de pirâmide enquanto enfrenta criaturas extraplanares. A premissa narrativa é simples, mas funcional: três aventureiros entram em um templo enigmático, um desaparece, o outro vai resgatar e também some. Sobra você, o último membro do grupo, tentando consertar o caos. Conforme encontra os companheiros, eles se tornam jogáveis em runs futuras, cada um com habilidades próprias, um toque clássico de progressão roguelike.

Gameplay: gemas, magia e dano tático
O núcleo da jogabilidade gira em torno de combinar gemas elementais. Cada cor representa um elemento (fogo, vento, etc.), e ao fazer combinações você acumula energia para lançar feitiços. Posicionamento é tudo: usar magia próximo aos inimigos causa dano direto, enquanto ataques corpo a corpo também são possíveis, mas mais arriscados.
As salas não se resumem a “derrotar tudo”. Há objetivos variados: ativar interruptores, alinhar runas, acionar cristais ou simplesmente sobreviver ao caos. Chefes de fase exigem um pouco mais de leitura de padrões e planejamento, quebrando o ritmo automático do match-3, um dos pontos mais interessantes do design.
O sistema de equipamentos e feitiços também sugere profundidade. Combinações diferentes podem mudar totalmente a forma de jogar, especialmente quando você começa a fortalecer elementos ao subir de nível.
Quando excesso vira cansaço
O grande tropeço de Roguematch : The Extraplanar Invasion está na sobrecarga de sistemas. O jogo quer ser puzzle, RPG, estratégia, roguelike e dungeon crawler ao mesmo tempo e raramente escolhe o que priorizar. Muitas salas parecem “lotadas” de mecânicas em vez de bem desenhadas.
O sistema de match-3 funciona, mas carece de impacto. Falta aquele “clique” satisfatório, aquela sensação de jogada inteligente. Em vez de estratégia elegante, muitas ações parecem burocracia: gerenciar ícones, feitiços, objetivos e posicionamento ao mesmo tempo, sem que o combate gere real tensão.
Chefes, que deveriam ser o auge, às vezes sofrem com feedback visual confuso e ritmo irregular. A intenção estratégica existe, mas a execução nem sempre acompanha.

Visual e acessibilidade seguram a experiência
Se algo mantém o jogo convidativo, é o direcionamento artístico. Cores vibrantes, personagens expressivos e um tom leve contrastam com a invasão extraplanar, tornando a experiência mais acessível, especialmente para quem normalmente não mergulha fundo em roguelikes complexos.
Tecnicamente, o jogo é estável, sem grandes problemas de desempenho, o que ajuda a manter a experiência fluida.
A pergunta que não quer calar: vale a pena jogar Roguematch : The Extraplanar Invasion?
Roguematch : The Extraplanar Invasion é um título de nicho. Ele entrega conteúdo, variedade e boas ideias, mas peca em coesão. A sensação é de um jogo que teve medo de cortar excessos.
Para quem gosta de jogos cheios de sistemas, builds e experimentação, há diversão e replay value, especialmente pelo preço acessível. Já quem busca foco, ritmo e impacto nas mecânicas pode sentir que a novidade perde força antes do fim da jornada.
Roguematch : The Extraplanar Invasion é uma experiência interessante, só não é tão afiada quanto poderia ser.
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