Larian confirma Divinity como RPG por turnos e revela uso de IA generativa

Larian confirma Divinity como RPG por turnos e revela uso de IA generativa

Larian confirma Divinity como RPG por turnos e revela uso de IA generativa

A Larian Studios mal teve tempo de descansar após o sucesso estrondoso de Baldur’s Gate 3 e já voltou aos holofotes com o anúncio de seu próximo grande projeto: um novo jogo da franquia Divinity. Revelado inicialmente durante o The Game Awards por meio de um trailer cinematográfico de tom sombrio e macabro, o título deixou mais perguntas do que respostas, especialmente por não exibir nenhuma jogabilidade.

Agora, graças a uma reportagem aprofundada do jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, finalmente começamos a entender a real ambição do estúdio belga. E, ao que tudo indica, a Larian quer ir além de tudo o que já fez antes. Ao mesmo tempo, decisões envolvendo o uso de inteligência artificial generativa colocaram o estúdio no centro de uma controvérsia que reacendeu debates importantes na indústria de games.

divinity jogo
Imagem via Larian Studios

Um novo Divinity, mas com o DNA clássico da Larian

Segundo Swen Vincke, CEO e diretor criativo da Larian Studios, os fãs não devem esperar uma ruptura completa com o passado. Pelo contrário: o novo Divinity será um RPG por turnos, mantendo a base que consagrou o estúdio com Divinity: Original Sin e, mais recentemente, Baldur’s Gate 3.

“Acho que esse jogo é a nossa verdadeira libertação”, afirmou Vincke à Bloomberg. “É um RPG por turnos com tudo o que você já viu de nós, mas elevado a um outro patamar.”

A fala deixa claro que a Larian não pretende seguir tendências do mercado em busca de ação em tempo real ou simplificações excessivas. Para muitos fãs hardcore do estúdio, isso soa como música para os ouvidos: a confirmação de que a empresa continuará apostando em sistemas profundos, escolhas narrativas complexas e combate tático.

“Melhor que Baldur’s Gate 3”: promessa ousada ou confiança justificada?

Em um comentário que rapidamente repercutiu nas redes sociais, Vincke foi direto ao ponto ao comparar o novo projeto com seu maior sucesso até hoje. “Baldur’s Gate 3 foi um ótimo jogo, e tenho muito orgulho dele, mas acredito que este será ainda melhor”, declarou.

A principal diferença, segundo o executivo, está no fato de o novo Divinity estar sendo desenvolvido desde o início como um videogame original, sem a necessidade de adaptar regras de um sistema de RPG de mesa como Dungeons & Dragons. Isso deve resultar em mecânicas mais intuitivas e melhor integração entre narrativa, sistemas e jogabilidade.

Um novo motor gráfico para evitar velhos problemas

Outro ponto-chave revelado na entrevista diz respeito à tecnologia por trás do jogo. A Larian confirmou que está desenvolvendo um novo motor gráfico, após enfrentar diversas limitações técnicas durante a produção de Baldur’s Gate 3.

Vincke explicou que o motor anterior dificultava ajustes rápidos e impunha restrições severas, como a divisão de grandes áreas da cidade por falta de capacidade de streaming e memória. “Existem muitas coisas em Baldur’s Gate 3 que só funcionaram por pouco”, admitiu. “Com uma tecnologia melhor, poderíamos ter feito ainda mais.”

A expectativa é que esse novo motor permita maior flexibilidade criativa, acelere processos internos e torne o desenvolvimento menos engessado, algo importante para um RPG de escopo massivo.

jogo Divinity
Imagem via Larian Studios

IA generativa em Divinity: onde começa a polêmica

Se por um lado o novo Divinity empolga, por outro a Larian se viu no centro de uma forte reação negativa ao confirmar o uso de inteligência artificial generativa durante o desenvolvimento do jogo.

De acordo com Vincke, a IA não é utilizada para criar roteiros finais, diálogos ou dublagens, áreas que continuam sendo produzidas por humanos. O uso da tecnologia estaria restrito a tarefas como criação de apresentações internas, exploração inicial de artes conceituais e textos temporários de placeholder.

Ainda assim, a revelação foi suficiente para gerar críticas intensas. Muitos jogadores afirmaram que, após apoiarem Baldur’s Gate 3, não se sentem confortáveis em consumir jogos de um estúdio que utiliza tecnologias associadas à apropriação indevida do trabalho de artistas.

Críticas antigas ressurgem: cultura interna e processos de contratação

A controvérsia com IA também abriu espaço para que antigos problemas da Larian viessem à tona. Desenvolvedores passaram a relatar experiências negativas com processos seletivos longos, confusos e, em alguns casos, considerados abusivos.

Um dos relatos mais compartilhados nas redes descreve testes extensos, reescritas baseadas em feedback do estúdio e, ao final, silêncio completo por parte da empresa. Para muitos profissionais, isso reforça a percepção de que a Larian, apesar da imagem positiva perante o público, enfrenta desafios internos que precisam ser debatidos com mais transparência.

Divinity é anunciado pela Larian Studios
Imagem via Larian Studios

Acesso Antecipado e um desenvolvimento mais saudável

Assim como Baldur’s Gate 3, o novo Divinity será lançado inicialmente em Acesso Antecipado. No entanto, Vincke deixou claro que isso ainda está distante: o estúdio não espera liberar essa versão antes de 2026.

A boa notícia é que a Larian quer evitar um ciclo de desenvolvimento tão longo quanto o de Baldur’s Gate 3, que levou cerca de seis anos para ser concluído. O objetivo agora é algo mais saudável, na faixa de três a quatro anos, sem reduzir o escopo ou a ambição do projeto.

Para isso, o estúdio pretende desenvolver missões e histórias em paralelo, otimizando o fluxo de trabalho. Ainda assim, Vincke reconhece que criatividade não é algo que possa ser simplesmente acelerado.

O que esperar de Divinity?

Entre promessas técnicas, ambição criativa e debates éticos, o novo Divinity já se posiciona como um dos projetos mais importantes do futuro dos RPGs ocidentais. A Larian Studios continua fiel à sua identidade, mas agora precisa lidar com expectativas ainda maiores, e com um público cada vez mais atento às decisões que vão além da tela.

Se o estúdio conseguirá equilibrar inovação, transparência e confiança da comunidade, só o tempo dirá.

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