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Hozy vende calmaria, mas entrega pouco conteúdo

Hozy vende calmaria, mas entrega pouco conteúdo

Come On Studio

Tem um cômodo em Hozy com um círculo de anões de jardim quebrados em volta de uma única lâmpada, e mensagens na parede sugerindo que o mofo ganhou consciência e que o silêncio sabe o seu nome. Foi nesse exato momento que o jogo me ganhou — e, ao mesmo tempo, onde entendi que Hozy é muito mais interessante nos detalhes do que na proposta que vende.

Porque, no fundo, a ideia central é das mais simples: você recebe casas para restaurar, recolhe o lixo, pinta as paredes e organiza os móveis que saem das caixas. E é só isso, de A a Z, repetido em cada ambiente.

O melhor de Hozy mora nos detalhes esquisitos

Cada cômodo tem uma vibe própria — apartamento de estudante, ateliê de artista, e por aí vai — e uma historinha implícita escondida nos objetos. Boa parte dessas histórias é banal. Mas algumas são genuinamente estranhas, daquele jeito que te faz parar a faxina no meio e perguntar “o que aconteceu aqui antes de eu chegar?”.

Esses arranjos bizarros e mensagens enigmáticas são, de longe, o que dá alma ao jogo. É o tipo de coisa que recompensa quem presta atenção e transforma uma tarefa boba de limpeza num pequeno mistério ambiental. Se você curte garimpar detalhes, vai se divertir com isso.

O problema é que essa camada é totalmente opcional e fácil de ignorar. Se você só quer limpar e seguir em frente, ela passa batido.

A jogabilidade é tranquila, mas não tem profundidade

Não dá pra fugir disso: a mecânica é linear e repetitiva. Você limpa com algumas ferramentas, escolhe onde colocar os móveis, e pronto. Existe uma lista de tarefas, mas ela só aponta o que precisa ser limpo, pintado ou organizado — nada de missões extras, objetivos paralelos ou qualquer desafio real.

Pra quem busca exatamente esse tipo de calmaria metódica, isso é um ponto a favor. Hozy funciona muito bem como aquele jogo de segundo plano, daqueles que você joga ouvindo podcast, audiolivro ou uma playlist. Ele exige atenção suficiente pra te manter ali, mas não a ponto de brigar pelo seu foco. Nesse papel, ele entrega direitinho.

Só não espere mais do que isso.

A câmera atrapalha mais do que deveria

Os controles não chegam a ser ruins, mas têm um problema curioso que aparece principalmente na câmera. No mouse e teclado, ela é travada demais. No controle, é o oposto: solta e escorregadia. O mesmo defeito, manifestado de dois jeitos diferentes.

Dá pra se acostumar, mas leva alguns cômodos até virar algo natural. Não é um defeito grave — só uma fricção desnecessária num jogo que deveria ser puro relaxamento.

Três horas e você já viu tudo

Aqui está minha maior ressalva. A liberdade de decorar é mais restrita do que parece: cada cômodo tem poucas opções de cor pra parede, e os móveis são sempre os mesmos. Na prática, dá pra montar dois ou três ambientes diferentes antes de tudo começar a parecer igual.

São nove cômodos no total. Levei mais ou menos uma hora pra fazer três, então o jogo inteiro fica em torno de três horas. Tem conquistas escondidas, mas adianto: todas são só por terminar os cômodos. Não há nada além disso esperando ser descoberto.

Hozy vale a pena?

Depende do que você procura.

Se você é do tipo que ama a paz de uma jogabilidade repetitiva e metódica, e curte limpar e organizar sem pressão nenhuma, Hozy pode valer um lugar na sua biblioteca — desde que o preço não te trave.

Mas se você quer algo mais encorpado, com progressão de verdade, desafio ou variedade, pode pular. Hozy é exatamente o que aparenta: bonito, calmo e simples. Nem mais, nem menos.

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Nota — Hozy
Nota: 5,5/10
Plataforma
PC
Pontos Positivos
  • Arte lindamente renderizada
  • Detalhes peculiares e misteriosos nos cômodos
  • Jogabilidade relaxante e metódica
  • Ótimo para ouvir música ou audiolivro
Pontos de Atenção
  • Conteúdo curto, cerca de três horas
  • Rejogabilidade muito limitada
  • Câmera desajeitada nos controles
  • Preço alto e sem demo disponível
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