Beat The Champions diverte, mas falta qualidadePurple Play LLC

Nem todo jogo de futebol precisa perseguir o realismo de EA Sports FC ou eFootball. Os clássicos arcades provaram, durante décadas, que exagero, velocidade e partidas descompromissadas também podem render excelentes experiências. Beat The Champions, desenvolvido pela Purple Tree e Whiteboard Games, tenta seguir exatamente esse caminho, apostando em habilidades especiais, tackles violentos e uma jogabilidade acelerada.

A ideia é boa. O problema é que uma boa ideia, sozinha, não sustenta um jogo por muito tempo.

Embora consiga entregar partidas divertidas em sessões rápidas, especialmente entre amigos, Beat The Champions sofre com falta de conteúdo, problemas de equilíbrio e uma apresentação bastante simples. É um título que diverte no impacto inicial, mas rapidamente mostra suas limitações.

Beat The Champions é um arcade sem vergonha de ser arcade

Desde os primeiros minutos fica claro que Beat The Champions não quer ser um simulador. Não existem preocupações com física realista, posicionamento tático complexo ou fidelidade ao esporte. Aqui, o futebol é praticamente um espetáculo de ação.

As partidas acontecem em ritmo acelerado, os jogadores se chocam o tempo todo e as disputas pela bola lembram muito mais um jogo de luta do que uma partida tradicional. Como praticamente não existem punições para carrinhos e divididas fora da área, cada lance vira uma batalha pela posse de bola.

Essa proposta funciona muito bem nas primeiras partidas. Existe um senso de caos divertido que torna cada contra-ataque imprevisível, principalmente quando todos ainda estão aprendendo as mecânicas.

O problema é que, passada essa novidade inicial, a experiência começa a parecer repetitiva.

Beat The Champions
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As habilidades especiais roubam a cena — para o bem e para o mal

O grande diferencial do jogo está no sistema de poderes especiais.

Conforme a equipe realiza boas jogadas, uma barra é preenchida até liberar movimentos capazes de decidir uma partida em segundos. São chutes praticamente indefensáveis, investidas que atravessam a defesa inteira e habilidades claramente inspiradas nos grandes jogos arcade de futebol.

É um recurso divertido e que ajuda a criar momentos memoráveis. Ao mesmo tempo, o sistema revela um dos maiores problemas do jogo: o balanceamento.

Algumas habilidades são simplesmente muito mais eficientes do que outras. Em pouco tempo, fica evidente quais personagens oferecem vantagens claras, fazendo com que boa parte da estratégia passe a girar em torno do uso correto dos especiais, e não necessariamente da qualidade da partida em si.

Isso reduz bastante a sensação de competitividade.

Mecânicas funcionam, mas falta profundidade em Beat The Champions

Os controles respondem bem. Passar, finalizar e disputar a bola é simples, intuitivo e acessível até para quem nunca jogou um game de futebol arcade. Existe um cuidado para que qualquer pessoa consiga aprender rapidamente. Só que essa simplicidade cobra um preço.

Depois de poucas horas, a sensação é de que o jogo já mostrou praticamente tudo o que tinha para oferecer. As partidas começam a seguir um padrão muito parecido, e faltam mecânicas que incentivem o jogador a continuar evoluindo ou experimentando novas estratégias.

A diversão existe, mas dificilmente se sustenta por longas sessões.

O multiplayer local salva boa parte da experiência

Se existe um lugar onde Beat The Champions realmente funciona, é no multiplayer local. Jogar sozinho evidencia rapidamente as limitações do conteúdo. Em compensação, reunir amigos no sofá transforma o caos em diversão quase instantânea.

As partidas rendem provocações, gols improváveis e momentos completamente absurdos, exatamente como um bom arcade deve proporcionar.

O modo International Cup também consegue criar um clima interessante de torneio, enquanto o Quick Match facilita entrar rapidamente em ação.

Outro ponto positivo é a licença oficial da Associação de Futebol Argentino (AFA), que permite montar equipes com nomes históricos como Lionel Messi, Diego Maradona e Gabriel Batistuta. É um detalhe que adiciona personalidade ao jogo, principalmente para fãs do futebol sul-americano.

Ainda assim, fica difícil entender a ausência de multiplayer online. Em um jogo claramente pensado para competição, limitar a experiência praticamente ao multiplayer local reduz bastante seu potencial de longevidade.

Visual simples e pouco inspirado

Visualmente, Beat The Champions passa longe de impressionar. Os estádios têm pouca personalidade, as texturas são básicas e a qualidade gráfica, de forma geral, lembra produções independentes de orçamento bastante limitado.

Os efeitos especiais conseguem dar algum espetáculo durante as habilidades, mas não escondem que o restante da apresentação é bastante modesto.

A trilha sonora cumpre seu papel sem se destacar, enquanto os efeitos de impacto ajudam a transmitir velocidade às partidas. Nada incomoda. Mas também não existe nada que realmente impressione.

Vale a pena jogar Beat The Champions?

Beat The Champions é aquele tipo de jogo que parece melhor nas primeiras partidas do que realmente é.

A proposta arcade funciona. O ritmo acelerado diverte. As habilidades especiais criam momentos engraçados e o multiplayer local rende boas horas de entretenimento entre amigos.

Só que, quando o entusiasmo inicial passa, ficam evidentes a falta de profundidade, o conteúdo limitado, o desequilíbrio entre habilidades e a ausência de recursos que poderiam aumentar significativamente sua vida útil, como partidas online.

Não é um jogo ruim. Também está longe de ser um grande representante do gênero.

Para quem procura um futebol descompromissado para jogar ocasionalmente, ele pode cumprir seu papel. Mas quem espera um arcade marcante ou um concorrente de peso dentro do gênero provavelmente sairá decepcionado.

Nota: 5/10 ⭐⭐⭐☆☆

Beat The Champions acerta ao abraçar o caos dos jogos arcade, mas entrega uma experiência que depende mais da diversão momentânea do que de um design realmente consistente. É um passatempo competente para algumas partidas, porém falta conteúdo, refinamento e variedade para justificar um investimento maior de tempo.

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