HMS Studios, Black Lantern Collective
A premissa de Angel Engine é das mais instigantes que vi num jogo de terror recente: a humanidade capturou um anjo e realiza experimentos cirúrgicos nele para tentar evitar o apocalipse.
Você entra como estagiário numa instalação chamada Babel 2, onde opera corpos usando ferramentas em formato de cruz e pentagrama enquanto tenta sobreviver ao turno.
Baseado numa série de horror analógico popular, o jogo deixa claro na página da Steam que, diferente da série original, não usa IA. E de fato não usa , os problemas de Angel Engine são de outra natureza.
O loop de “horror rotineiro” funciona até não funcionar mais
Angel Engine segue a cartilha de jogos como Five Nights at Freddy’s: um loop simples que vai ganhando camadas de complexidade até virar um caos de pratos girando ao mesmo tempo.
Você move um dispositivo sobre as feridas brilhantes do paciente, seleciona a ferramenta certa e completa um minigame. Enquanto isso, precisa manter a anestesia em dia pra ele não acordar, recarregar a energia da estação num minigame estilo Flappy Bird e usar água benta para proteger seus equipamentos de sabotagens.
O jogo ensina cada mecânica individualmente com eficiência, através de pequenas vinhetas entre operações. O problema é combinar tudo junto. A quantidade de sistemas competindo pela sua atenção vira uma experiência mais frustrante do que divertida.
Tem RNG demais em certos minigames, e quando vários equipamentos são atacados ao mesmo tempo, você simplesmente não tem como reagir. A sensação não é de tensão, é de plantão ruim no trabalho.

A narrativa fala muito e diz pouco
Fora das operações, sua interação se resume a um guarda de segurança que aparece depois de cada turno para filosofar sobre a natureza humana ou falar de máquina de vendas, e e-mails no computador que deveriam revelar segredos sombrios da instalação.
Mas sem contexto sobre quem escreve ou do que se trata, os textos viram parágrafos vagamente ameaçadores sobre coisas que não fazem sentido. Talvez funcione para quem conhece a série original, pra quem não conhece, é só ruído.
A apresentação é o ponto alto
Onde Angel Engine realmente brilha é na estética. Com uma fidelidade visual baixa, mas muito bem direcionada, o jogo constrói uma atmosfera de horror religioso que gruda.
A paleta de cores sóbria contrasta com as feridas neon dos pacientes, criando clareza visual e clima ao mesmo tempo. O design de som também funciona: os rangidos de maquinário e os alertas sonoros são essenciais pro gameplay, a ponto do jogo ser impossível de jogar sem volume.
Os jumpscares, por outro lado, perdem efeito rápido. Depois do primeiro susto, todos são previsíveis demais porque acontecem no instante exato em que a energia ou anestesia zera, sem surpresa, sem tensão na espera.
Pouco jogo para pouca recompensa
Angel Engine dura entre duas e três horas, e não sobra muito motivo para revisitar. Tem conteúdo pós-créditos, mas não o suficiente pra justificar outra sessão.
É o tipo de experiência que se resolve numa sentada, e que, sinceramente, não deixa vontade de voltar.
Se você é fã da série de horror analógico original, pode tirar mais proveito do contexto. Fora disso, Angel Engine é competente na apresentação e frustrante no resto. Esperar uma promoção seria o mais sensato.
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