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Rune Dice entrega diversão rápida e estratégia de sobra

Rune Dice é um roguelite de deck-building cuja mecânica central transforma o arremesso de dados em algo parecido com sinuca, gerando reações em cadeia absurdamente viciantes.

Rune Dice entrega diversão rápida e estratégia de sobra

Acertar um dado e ver a tela inteira explodir numa reação em cadeia que lembra pipoca estourando é uma das sensações mais satisfatórias que tive jogando nos últimos meses. Rune Dice não só me prendeu, como virou aquele jogo que eu só largava quando a vida realmente exigia.

A premissa de Rune Dice é direta: cada batalha começa com um punhado de dados espalhados pelo tabuleiro e uma fileira de inimigos para encarar. Você e eles trocam ataques por turnos até alguém cair. Só que o seu turno é, literalmente, arremessar um dado. E é aí que a mágica acontece.

Jogar dado nunca foi tão parecido com sinuca

A ideia é juntar dados de mesmo número batendo um no outro. Você arremessa um dado de valor 1, ele encosta em outro 1 no tabuleiro e os dois viram um 2. Esse 2 sai quicando atrás do 2 mais próximo, vira 3, e segue assim numa reação em cadeia que só para quando algum dado erra o alvo.

O detalhe genial de Rune Dice é a física de bilhar. Os dados ricocheteiam uns nos outros como bolas de sinuca, e você pode jogar nas laterais e no fundo do tabuleiro para conseguir ângulos melhores em alvos difíceis. Ou seja, você não fica preso a caçar os dados de valor 1, dá pra usar seu arremesso para bater dois dados de 4 e formar um 5, por exemplo. Passei um tempão me divertindo só de calcular como extrair o máximo de cada jogada antes de soltar o dado, estudando cada lance quase como num xadrez.

E o melhor é que não é só beleza: cada fusão entra numa fila de ataque, e o valor de cada dado é o dano que seu herói causa. Quanto mais longa a corrente, mais dados entram na fila e mais estrago você faz num único turno. Limpar o tabuleiro inteiro de uma tacada só é puro dopamina de videogame, me lembrou demais a sensação inesquecível de Peggle, pra quem teve o prazer de jogar.

Ainda tem os dados especiais, que dão um tempero extra: atordoamento trava os inimigos, escudo protege seu herói, bomba causa dano em área. Ao longo da run você vai acrescentando dados ao baralho e moldando seu estilo de jogo na hora, do jeito que bem entender.

Runas e relíquias dão profundidade de sobra em Rune Dice

Como o próprio nome entrega, as runas também entram na jogada. Elas são usadas no começo do turno e oferecem buffs poderosos, a runa de gravidade, por exemplo, é jogada no tabuleiro e suga os dados próximos pra um buraco negro, às vezes já disparando fusões antes mesmo do seu primeiro arremesso. Usada na hora certa, vira o jogo.

E quando você acha que já entendeu tudo, entram as relíquias, que dão buffs permanentes pela run inteira. Começar toda luta com 10 de armadura ou ter chance de cada dado arremessado sair de cura muda completamente a estratégia. É essa combinação de dados, runas e relíquias que dá a Rune Dice uma camada de profundidade deliciosa de explorar, incentivando você a testar build atrás de build.

A dificuldade de Rune Dice é justa do começo ao fim

Em Rune Dice são três mapas, cada um com três chefes, totalizando nove. A curva é amigável: os primeiros mapas te deixam pegar o jeito sem sufoco, e o desafio aperta de forma natural até o terceiro e último mapa. Pra quem, como eu, normalmente desiste de roguelite na primeira parede de dificuldade, esse equilíbrio é um achado. Morri algumas vezes, apanhei mais no final, mas nunca senti aquela frustração de morte barata que faz largar o controle.

E se quiser mais osso pra roer, dá pra ligar um modo difícil opcional antes de cada run. O terceiro mapa, o Void Circus, é disparado o mais incrível, com os melhores designs de inimigo do jogo. Os unicórnios de carrossel que se soltam do poste e viram cavalos bem mais perigosos se você demora pra matá-los são um espetáculo à parte, e refletem o capricho da pixel art, com sprites detalhados de doer os olhos (no bom sentido).

Tem conteúdo de sobra pra desbloquear

Ganhando ou perdendo, toda run rende progresso para desafios meta que liberam novas runas, relíquias, classes e heróis. São oito classes, ladino, mago, guerreiro, bardo, necromante, paladino, druida e arqueiro, e cada uma tem três heróis que funcionam como subclasses, com variações de vida inicial e dados. As classes ainda sobem de nível conforme você joga, aumentando atributos e concedendo relíquias iniciais.

Traduzindo: mesmo depois de derrotar os nove chefes, ainda sobra muita coisa para desbloquear e experimentar. É o tipo de jogo que continua entregando bem depois dos créditos.

Rune Dice é perfeito para sessões curtas

Talvez o que mais me conquistou tenha sido a praticidade. Uma run leva menos de 30 minutos, e dá pra salvar e sair entre cada nó do mapa. Para quem tem uma rotina apertada e precisa pausar a qualquer momento, isso é ouro puro. É o jogo ideal para uma partida rápida antes de dormir ou pra aquela “só mais uma” que vira três.

O mapa é gerado proceduralmente, com nós variados: batalhas comuns, batalhas mais difíceis, minichefes, o comerciante, baús de recompensa e o altar. E como dá pra ver o mapa inteiro a qualquer momento, sempre pude traçar minha rota até o chefe ou desviar pra me curar quando a vida apertava.

Se você curte roguelite, vai se sentir em casa na hora com Rune Dice. E se, como eu, costuma torcer o nariz pro gênero, Rune Dice é exatamente o jogo que vai te fazer mudar de ideia. É simples, viciante, justo e cheio de conteúdo. Recomendo sem pestanejar.

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Nota — Rune Dice
Nota: 8/10
Plataforma
Nintendo Switch e Switch 2
Pontos Positivos
  • Reações em cadeia viciantes com física de sinuca
  • Dificuldade justa, sem mortes baratas
  • Muito conteúdo pra desbloquear
  • Runs rápidas, perfeitas pra sessões curtas
  • Pixel art caprichada e cheia de personalidade
Pontos de Atenção
  • Chefes só desafiam mesmo no terceiro mapa
  • Algumas builds são bem mais fortes que outras
  • Runas ficam à sombra das relíquias