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5 filmes teen que viraram clássicos

Cinco comédias românticas dos anos 90 e 2000 que ainda valem a maratona. Reunimos clássicos do romance teen com protagonistas marcantes, leitura crítica de cada filme e onde assistir hoje. Histórias sobre amor, identidade e autodescoberta que envelheceram bem e continuam emocionando novas gerações de espectadores.

De Shakespeare a Jane Austen: os filmes teen que viraram clássicos

Existem filmes que a gente assiste pela primeira vez na adolescência e nunca esquece. Não porque seja perfeito, às vezes está longe disso, mas porque toca em algo real: a confusão de se apaixonar por quem parece a pessoa errada, a pressão de ser quem os outros esperam que você seja, e aquela virada de roteiro que faz o coração saltar mesmo quando você já sabe o que vai acontecer.

Os filmes teen dos anos 90 e 2000 capturaram esse sentimento com uma precisão que o cinema raramente repetiu desde então. Reuni aqui cinco títulos que continuam valendo a maratona, cada um com seu próprio charme, seu próprio jeito de falar sobre o amor e suas próprias razões para ter envelhecido tão bem.

10 Coisas que Odeio em Você (1999)

Dirigido por Gil Junger e baseado em A Megera Domada, de Shakespeare, 10 Coisas que Odeio em Você é uma das raras adaptações literárias que carrega a referência com leveza, sem se curvar ao peso dela.

A trama gira em torno de uma regra imposta pelo pai das irmãs Stratford: a caçula Bianca (Larisa Oleynik) só pode namorar quando a mais velha, Kat (Julia Stiles), também sair com alguém. O problema é que Kat não tem o menor interesse em namorar, tem opiniões fortes, língua afiada e nenhuma vontade de agradar. Para contornar o impasse, Cameron, apaixonado por Bianca, articula um plano com o colega Joey: pagar o enigmático Patrick Verona (Heath Ledger) para conquistar Kat.

O que faz o filme resistir ao tempo é a forma como trata sua protagonista. Kat incomoda alguns personagens exatamente por ser honesta demais, e o roteiro nunca a obriga a abrir mão disso para ser amada. Quando ela se permite sentir, é uma escolha, não uma rendição. Heath Ledger, na célebre cena em que canta nas arquibancadas do colégio, constrói um Patrick que encanta sem manipular, alguém que começa por interesse e acaba genuinamente envolvido. A química entre os dois funciona porque nenhum dos dois é simplificado.

Onde assistir: Disney+.

10 coisas que eu odeio em você
Divulgação

As Patricinhas de Beverly Hills  (1995)

Inspirado em Emma, de Jane Austen, e dirigido por Amy Heckerling, As Patricinhas de Beverly Hills acompanha Cher Horowitz (Alicia Silverstone), uma adolescente rica e popular da Califórnia que se vê como uma espécie de cupido. Ela arma o namoro de dois professores, adota a colega novata Tai para uma transformação completa e organiza a vida amorosa de todos ao redor, menos a própria.

O charme do filme está justamente nessa ironia. Cher acha que entende tudo de relacionamentos, mas é a última a perceber por quem está realmente apaixonada: Josh (Paul Rudd), o filho universitário de uma ex-mulher do pai dela, que vive criticando o materialismo da garota enquanto, sem querer, vai se tornando importante na vida dela.

O roteiro de Heckerling é um dos mais afiados da década. Os diálogos são rápidos, repletos de gírias inventadas que entraram para a cultura pop, e funcionam tanto para quem conhece Austen quanto para quem nunca ouviu falar da escritora. Por trás da estética cor-de-rosa e da aparente futilidade, há uma protagonista que aprende a olhar para fora de si mesma, e que descobre o amor justamente quando para de tentar controlá-lo.

Onde assistir: Mercado Play, Netflix, Paramount+ e Prime Video.

As Patricinhas de Beverly Hills
Divulgação

Ela é Demais (1999)

Ela é Demais, dirigido por Robert Iscove, parte de uma premissa que parece clichê e a transforma em algo mais interessante do que aparenta. Zach Siler (Freddie Prinze Jr.), o garoto mais popular do colégio, é dispensado pela namorada Taylor logo no início. Ferido no orgulho, ele aposta com o melhor amigo, Dean, que consegue transformar qualquer garota da escola em rainha do baile. A escolhida é Laney Boggs (Rachael Leigh Cook), uma artista introspectiva e à margem da vida social.

A graça está no que o filme faz com esse ponto de partida previsível. Laney não é uma personagem construída apenas para ser transformada, ela já é interessante antes de qualquer mudança de visual. Tem humor ácido, posições firmes e uma vida afetiva marcada pela perda da mãe. A aposta funciona como motor da trama, mas o que de fato prende é ver Zach perceber, aos poucos, que todos os seus relacionamentos anteriores foram superficiais, e que com Laney existe algo diferente.

Quando ela descobre a verdade sobre a aposta, o filme evita o melodrama fácil: a raiva de Laney é precisa, justa, sem exageros. É um romance adolescente que sabe brincar com a própria previsibilidade e investir, mesmo assim, na construção honesta da relação entre os dois.

Onde assistir: Mercado Play.

Ela é Demais
Divulgação

O Diário da Princesa (2002)

Dirigido por Garry Marshall e baseado nos livros de Meg Cabot, O Diário da Princesa marcou a estreia de Anne Hathaway no cinema. Mia Thermopolis é uma adolescente desajeitada e tímida de São Francisco que descobre, de uma hora para outra, ser a herdeira do trono de Genóvia, um pequeno principado europeu. Sua avó, a rainha Clarisse (Julie Andrews), surge para ensiná-la a se comportar como uma princesa, etiqueta, postura, um novo visual.

O romance aqui é mais discreto do que nos outros títulos, e isso é uma escolha acertada. O que move o filme é a tensão entre ser quem você é e ser quem o mundo espera que você se torne. Mia não quer ser princesa: quer terminar o ensino médio em paz e passar tempo com a melhor amiga, Lilly. A transformação proposta pela avó colide frontalmente com tudo isso.

O par romântico de Mia é Michael Moscovitz (Robert Schwartzman), irmão mais velho de Lilly, apaixonado por ela desde o começo. E o acerto do filme é que esse romance nunca compete com o eixo emocional central, a relação entre Mia e a avó, em que Julie Andrews entrega uma atuação dura, engraçada e, na hora certa, de partir o coração. Michael surge como consequência de Mia se tornar mais ela mesma, não menos. O amor, aqui, é fruto de autenticidade.

Onde assistir: Disney+.

O Diário da Princesa
Disney+

Meninas Malvadas (2004)

Escrito por Tina Fey e dirigido por Mark Waters, Meninas Malvadas olha para o ambiente que deveria cultivar o amor adolescente, o colégio americano, com uma clareza quase cirúrgica. Baseado no livro de não ficção Queen Bees and Wannabes, o roteiro tem pouco interesse em romantizar a adolescência. Quer entendê-la.

Cady Heron (Lindsay Lohan) chega aos Estados Unidos depois de passar a infância na África, onde foi educada em casa pelos pais. Não conhece as regras sociais não escritas que organizam a hierarquia do colégio. Ao ser recrutada por Janis e Damian para se infiltrar no grupo das Plásticas, liderado pela temível Regina George (Rachel McAdams), ela aprende essas regras rápido demais, e acaba se perdendo no processo.

O romance com Aaron Samuels (Jonathan Bennett), ex-namorado de Regina, existe, mas o filme sabe que não é o ponto central. O que Meninas Malvadas investiga é como a dinâmica de poder entre as garotas molda, e deforma, as relações afetivas e as amizades. Regina não é apenas uma antagonista; é um retrato de como a necessidade de controle pode disfarçar a insegurança. Mais sarcástico e disposto ao incômodo que os outros títulos da lista, o filme compartilha com eles, ainda assim, o compromisso com personagens femininas que têm lógica interna e nunca são meramente decorativas.

Onde assistir: Mercado Play.

Meninas Malvadas
Divulgação

O que une esses cinco filmes

Separados por quase uma década, com tons que vão do afetivo ao sarcástico, os cinco filmes compartilham algo que vai além do gênero: todos acreditam que a protagonista importa.

Não como objeto do desejo alheio, não como alguém que precisa ser corrigida para merecer amor, mas como personagem com interior, contradições e vontade própria. Cher se engana. Kat resiste. Laney surpreende. Mia hesita. Cady se perde. E todas chegam a algum lugar porque fizeram escolhas, não porque foram escolhidas.

Isso, mais do que qualquer trilha sonora nostálgica ou estética de época, é o que faz esses filmes sobreviverem. O amor, quando aparece neles, é consequência de alguém se tornando mais honesto consigo mesmo. É uma proposição simples, e continua funcionando.

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