Eu já esperava passar raiva com Good Luck, mas não imaginava que um simples trajeto até o trabalho conseguiria me irritar — e me fazer rir — tantas vezes seguidas.
A proposta do jogo é extremamente simples: chegar ao seu destino atravessando uma cidade onde literalmente tudo tenta te matar. Parece exagero, mas não é. Lixeiras explodem, bueiros estouram, placas caem do céu, carros aparecem do nada e até unidades de ar-condicionado viram ameaça constante.
E honestamente? Foram justamente os ar-condicionados perto da lixeira que mais acabaram comigo durante a gameplay. Depois de morrer ali várias vezes, comecei a desconfiar de qualquer objeto pendurado no cenário.
Good Luck vive do caos e da repetição
A estrutura de Good Luck gira completamente em torno da tentativa e erro. Você anda, observa o ambiente, tenta prever as armadilhas e inevitavelmente morre para algo absurdo alguns segundos depois.
Então volta tudo do início.
Esse ciclo define praticamente toda a experiência. Conforme você joga, começa a decorar padrões, memorizar perigos e entender melhor o comportamento das armadilhas espalhadas pela cidade. O problema é que o jogo adora misturar previsibilidade com puro caos, então mesmo quando você acha que finalmente dominou um trecho, surge alguma situação inesperada para destruir sua corrida.
Foi exatamente isso que me fez continuar jogando mesmo passando raiva. Existe uma satisfação muito grande em finalmente superar uma área que parecia impossível minutos antes.

O multiplayer deixa tudo melhor
Apesar de eu ter me divertido sozinho, é impossível negar que Good Luck funciona muito melhor no multiplayer.
Ver vários jogadores sendo esmagados pela mesma armadilha ou entrando em desespero para atravessar uma rua transforma a frustração em comédia instantânea. O jogo claramente foi pensado para gerar esse tipo de caos coletivo, principalmente porque boa parte das mortes acontece de maneira tão absurda que fica difícil não rir.
A experiência ganha muito mais vida quando existe alguém para compartilhar o sofrimento.
Good Luck é simples, mas funcional
Mecanicamente, Good Luck é bastante direto. Você basicamente anda, corre e pula enquanto tenta sobreviver aos obstáculos espalhados pelo caminho.
Não existe profundidade enorme aqui, e sinceramente acho que o jogo nem tenta esconder isso. Toda a proposta depende mais da física caótica, do timing e da capacidade do jogador de reagir rapidamente aos perigos.
Visualmente, também é um jogo simples, mas eficiente. Os cenários são coloridos, fáceis de entender e ajudam bastante na leitura dos perigos, algo essencial em um jogo onde qualquer distração pode significar morte instantânea.
O áudio também funciona bem dentro da proposta. Os impactos exagerados, explosões e sons repentinos ajudam bastante na sensação de caos constante.
Nem toda frustração é divertida
Apesar de eu ter gostado bastante da proposta, alguns problemas começaram a ficar mais evidentes depois de algumas horas.
A ausência de checkpoints pode ser extremamente cansativa em determinados momentos, principalmente quando você morre perto do fim e precisa repetir longos trechos novamente. Entendo perfeitamente que isso faz parte da identidade do jogo, mas houve momentos em que a repetição começou a pesar mais do que deveria.
Também senti que alguns movimentos possuem uma leve imprecisão. Em certas situações, parecia que o personagem dava um pequeno passo extra mesmo depois de eu parar o comando, o que acabou causando mortes frustrantes várias vezes.
E como o jogo depende quase totalmente do fator surpresa, inevitavelmente chega um momento em que o impacto inicial começa a diminuir.
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Nota: 7/10
Pontos Positivos
- Gameplay caótica e divertida
- Boas armadilhas e situações absurdas
- Multiplayer rende boas risadas
- Visual simples e funcional
Pontos Negativos
- Falta de checkpoints pode cansar
- Algumas mortes parecem injustas
- Movimentação nem sempre é precisa
- Repetição pesa após algumas tentativas











