
REVIEW | Hidden Around the World é o jogo relaxante que eu não sabia que precisava
Hidden Around the World transforma a busca de objetos escondidos em uma viagem pelo mundo cheia de charme — mas até onde vai o fôlego dessa proposta?
Plataformas: PC · Nintendo Switch · Mobile
Nota: 8,2/10
Confesso que abri “Hidden Around the World” sem muita expectativa. Jogos de encontrar objetos escondidos sempre me pareceram coisa de madrugada no celular, entre um scroll e outro de redes sociais. Mas a Ogre Pixel, estúdio que já me encantou com A Tiny Sticker Tale, conseguiu me prender por horas numa proposta que, no papel, soa simples demais para ser interessante.
O jogo chegou em 6 de abril de 2026 para PC, Nintendo Switch e mobile, e a proposta é direta: você viaja por 12 cidades icônicas ao redor do mundo e vasculha cada cenário em busca de uma lista de objetos escondidos. Tokyo, Paris, Rio de Janeiro, cada destino é recriado com um estilo de ilustração à mão que lembra um postal animado. Nada de fotorrealismo ou CG pomposo. Só traços suaves, cores quentes e muita personalidade.

Um jogo que respeita o seu tempo e o seu ritmo
A primeira coisa que me chamou atenção foi a ausência de pressão. Sem cronômetro. Sem penalidade por errar. Sem aquele contador sádico te dizendo que você está demorando demais. Hidden Around the World age como aquele amigo que te convida pra um passeio sem destino fixo, você vai no tempo que quiser.
Os cenários são densamente habitados: ciclistas, vendedores ambulantes, crianças brincando, animais passeando. Cada cena parece um microcosmo vivo. E quando o jogo te pede pra encontrar um guarda-chuva vermelho num emaranhado de detalhes coloridos, a satisfação de achar é real, daquelas que fazem você dar um sorriso sem querer.
A mecânica de fotografia: um diferencial sutil, mas eficiente
Além de encontrar objetos, o game introduz uma mecânica de fotografia que muda levemente a dinâmica. Em vez de só marcar itens numa lista, você precisa registrar momentos específicos dentro da cena, uma bicicleta encostada num muro histórico, um casal em frente a um monumento. É uma mudança pequena, mas que te faz olhar pro cenário de forma diferente: menos como um caça-níqueis visual e mais como um observador atento.
Não é revolucionário, mas funciona. E no contexto de um jogo que propõe calma e contemplação, esse tipo de micro-objetivo faz toda a diferença para manter o interesse aceso entre uma fase e outra.
Modo Sandbox: onde o jogo ganha longevidade real
Se a campanha principal já é sólida, é no Modo Sandbox que Hidden Around the World se separa da maioria dos jogos do gênero. Aqui, você vira criador: monta seus próprios cenários, posiciona objetos, cria desafios e compartilha com a comunidade.
Essa funcionalidade transforma o que seria uma experiência finita, concluída em poucas horas, em algo com potencial de durar meses, dependendo do engajamento da comunidade. A qualidade dos níveis criados pelos jogadores vai variar, é claro. Já existe conteúdo genérico por aí. Mas os melhores criadores produzem fases que rivalizam com as oficiais em criatividade e capricho.

Ficha Técnica de Hidden Around the World
| Gênero: Hidden Object / Casual | Desenvolvedora: Ogre Pixel | Plataformas: PC, Switch, Mobile |
| Preço (Steam): R$ 26,49 | Número de cidades: 12 | Modo Multiplayer: Não (online via Sandbox) |
Arte e trilha sonora: conforto visual em estado puro
A diretora de arte do jogo merece um capítulo à parte. A paleta de cores é deliberadamente quente e acolhedora — nada de tons saturados ao extremo ou contrastes agressivos. As cenas são detalhadas sem virar bagunça visual. Há uma harmonia rara entre a quantidade de elementos em tela e a legibilidade de cada cenário.
A trilha sonora segue na mesma linha: discreta, suave, quase ambient. É o tipo de música que você não percebe conscientemente, mas cuja ausência faria falta. Ela existe pra criar atmosfera, não pra chamar atenção — e nisso cumpre seu papel com elegância.
Para quem não é o jogo ideal
Preciso ser honesto: se você busca desafio, Hidden Around the World vai te frustrar — não pela dificuldade, mas pela falta dela. A progressão é tranquila demais pra quem prefere jogos que testam habilidades de forma mais agressiva. A loop de gameplay não muda significativamente ao longo das 12 cidades. O que você vê na primeira fase é essencialmente o que você vai jogar na última — só com um pano de fundo diferente.
Para quem joga buscando urgência, tensão e superação constante, esse jogo vai parecer uma soneca interativa. E tudo bem. Ele claramente não foi feito pra esse público.
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- Visuais - 9%9%
- Jogabilidade - 7.5%7.5%
- Longevidade - 8%8%
- Trilha sonora - 8.5%8.5%
- Criatividade - 8%8%
Veredicto final
Hidden Around the World é um jogo que sabe exatamente o que quer ser: uma experiência relaxante, bonita e acessível para quem precisa desacelerar. Não tenta reinventar o gênero — e nem precisa. Com um estilo visual encantador, mecânicas funcionais e um Modo Sandbox que garante longevidade real, ele entrega o que promete com competência e carinho. Se você quer adrenalina, olhe pra outro lado. Mas se quer um jogo que respeita o seu tempo e te faz sorrir, esse passaporte vale a viagem.

























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