
REVIEW | Underchoice – Playtest
Confesso que comecei Underchoice mais pela curiosidade do conceito do que por expectativa real. A ideia de misturar algo no estilo Fallout com a estrutura de decisões de Papers, Please parece aquela combinação que pode dar muito certo ou simplesmente não funcionar.
Depois de jogar o demo, fiquei com a sensação de que o jogo está bem mais próximo do primeiro caso.
Aqui, eu assumo o papel de um Overseer responsável por um bunker em um mundo pós-apocalíptico. Do lado de fora, o cenário é completamente hostil; dentro, a sobrevivência depende de decisões difíceis. E o jogo não perde tempo explicando isso, rapidamente sou colocada diante da principal mecânica: decidir quem entra e quem fica do lado de fora.

Decidir quem vive com você é mais difícil do que parece
A rotina do jogo gira em torno de uma estrutura simples, mas cheia de consequências. Pessoas batem na porta do bunker pedindo abrigo, e cabe a mim avaliar cada caso.
No papel, parece direto. Na prática, é o tipo de decisão que começa a pesar depois de alguns minutos.
Cada pessoa pode representar tanto um risco quanto uma oportunidade. Alguém pode trazer recursos, habilidades úteis ou ajudar a resolver problemas internos. Mas também pode trazer conflitos, ameaças ou simplesmente consumir recursos que já são escassos. E é aí que o jogo começa a funcionar de verdade.
Gestão e moral caminham juntas o tempo todo
O que mais me chamou atenção em Underchoice foi como ele consegue equilibrar mecânica e narrativa sem precisar de grandes explicações.
Não é só sobre aceitar ou recusar pessoas. Existe toda uma camada de gerenciamento acontecendo ao mesmo tempo. Recursos são limitados, crises surgem dentro do bunker e cada decisão impacta diretamente o que vem depois.
Em vários momentos, precisei escolher entre o que parecia “certo” e o que era simplesmente necessário para manter tudo funcionando. E nem sempre essas duas coisas são compatíveis.

O peso das escolhas aparece rápido em Underchoice
Uma das coisas que o jogo acerta é não esconder as consequências.
As decisões têm impacto, e isso aparece de forma relativamente rápida. Rejeitar alguém pode significar perder uma vantagem importante mais tarde. Aceitar pode gerar problemas internos difíceis de controlar.
Essa imprevisibilidade mantém o jogo interessante, porque nunca existe uma escolha claramente segura.
Com o tempo, comecei a jogar de forma mais calculada, mas ainda assim sempre com aquela sensação de que qualquer decisão poderia dar errado.
Estética simples, mas muito bem direcionada
Visualmente, Underchoice não tenta impressionar tecnicamente, mas entende muito bem o tipo de atmosfera que quer criar.
A interface lembra computadores antigos, com aquele visual mais “retrô” que combina perfeitamente com a ideia de um bunker isolado. Os elementos visuais reforçam a sensação de escassez e de um mundo que já passou do seu auge tecnológico.
A trilha sonora segue a mesma linha, com um estilo mais contido e levemente melancólico, que funciona bem para manter o clima do jogo.
Um começo promissor
Underchoice funciona melhor quando te coloca sob pressão, obrigando a tomar decisões rápidas sem todas as informações. É nesse momento que ele se destaca, porque transforma algo simples em uma experiência tensa e envolvente.
Ainda é cedo para dizer como isso vai se sustentar na versão completa, mas a base está bem construída.
E, considerando quantos jogos de decisão acabam ficando repetitivos rápido, Underchoice pelo menos começa com a sensação de que pode ir além do básico.
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