
REVIEW | Terceira temporada de Jujutsu Kaisen aposta alto e acerta no final
Terceira temporada de Jujutsu Kaisen entrega um arco mais complexo e um final impressionante que supera expectativas com direção e animação de alto nível.
Eu já começo dizendo que sou completamente suspeita para falar de Jujutsu Kaisen. É, sem dúvida, um dos meus animes favoritos da atualidade. Então, naturalmente, minhas expectativas para a terceira temporada estavam lá em cima, principalmente depois do impacto absurdo que foi o arco de Shibuya.
E ainda assim, o que mais me surpreendeu aqui é que a temporada conseguiu ir além do que eu esperava. Mas não da forma mais fácil.

O Arco do Jogo do Abate exige mais do espectador
A terceira temporada mergulha direto no Arco do Jogo do Abate, e rapidamente fica claro que a proposta mudou.
A narrativa deixa de ser mais direta e passa a funcionar de forma fragmentada, com vários personagens espalhados em diferentes cenários, cada um lidando com suas próprias batalhas e objetivos dentro das regras do jogo.
Isso torna a experiência mais densa.
Eu senti isso logo no começo. Existe muita informação nova, muitas regras sendo introduzidas e pouca pausa para absorver tudo com calma. Em alguns momentos, precisei realmente prestar mais atenção do que o normal para acompanhar o que estava acontecendo.
Mas ao mesmo tempo, essa complexidade também faz o arco parecer mais interessante, como se o mundo estivesse realmente evoluindo junto com os personagens.
Yuji muda, e o peso da história muda junto
Outro ponto que me chamou muita atenção foi o quanto o Yuji está diferente.
Ele não é mais aquele protagonista impulsivo que resolve tudo na base da emoção. Agora existe uma consciência muito maior das consequências, quase como se ele estivesse tentando se encaixar dentro de um sistema que ele mesmo não controla.
Isso deixa o anime mais pesado.
O humor ainda aparece, mas não com a mesma frequência. A sensação geral é de que tudo tem mais impacto, mais consequência e menos espaço para alívio.
E isso funciona muito bem dentro do contexto atual da história.

As lutas continuam incríveis, mas agora são ainda mais técnicas
Se tem algo que continua sendo o maior diferencial de Jujutsu Kaisen é o sistema de combate. Na terceira temporada, isso fica ainda mais evidente. As lutas não são apenas sobre força, mas sobre entender regras, limitações e possibilidades.
Cada confronto parece funcionar como um quebra-cabeça em movimento.
Enquanto assistia, várias vezes tive a sensação de que não estava vendo apenas uma luta, mas sim personagens tentando resolver um sistema complexo em tempo real. Isso mantém o interesse alto, mesmo quando a história desacelera para explicar algumas mecânicas.
Direção e animação mostram o melhor do MAPPA
A produção continua sendo um dos pontos mais impressionantes da série.
A animação segue em um nível altíssimo, mas o que realmente se destaca é a direção. Existe um cuidado enorme com a forma como as cenas são construídas, principalmente nas sequências de ação.
Movimentos de câmera, uso de espaço e clareza visual fazem com que até as lutas mais caóticas sejam fáceis de acompanhar.
É o tipo de trabalho que mostra confiança total na identidade do anime.
O episódio final é onde tudo explode e supera expectativas
Se a temporada inteira já vinha em um nível alto, o episódio final foi o momento em que tudo realmente se consolidou para mim.
A luta em Sendai, com o Yuta no centro do conflito, é facilmente uma das melhores sequências da temporada e talvez de todo o anime até agora.
O que mais me impressionou não foi só a qualidade da animação, mas a forma como tudo é construído. Existe uma sensação constante de escala, de perigo e de controle do caos que a direção consegue manter do início ao fim.
A batalha contra Kurourushi já começa intensa, mas o que vem depois — com a entrada de Uro e Ishigori — eleva tudo para outro nível. A dinâmica entre os três personagens, cada um com habilidades completamente diferentes, cria uma luta que é ao mesmo tempo visualmente incrível e estrategicamente interessante.

E quando a sequência de expansão de domínio acontece, fica claro que o MAPPA estava ali para entregar espetáculo.
Mas o que mais me surpreendeu foi que, mesmo sendo um episódio extremamente focado em ação, ele ainda consegue trabalhar bem o lado emocional do Yuta. Dá para sentir o peso das decisões dele, o motivo por trás de cada escolha e o quanto ele está disposto a se sacrificar.
Eu terminei o episódio com aquela sensação rara de que valeu a pena acompanhar tudo até ali.
O ritmo ainda é o ponto mais irregular de Jujutsu Kaisen
Mesmo com um final forte, a teceira temporada de Jujutsu Kaisen não escapa de alguns problemas.
O ritmo continua sendo o ponto mais inconsistente. Em alguns episódios, a história desacelera demais para explicar conceitos e regras, o que quebra um pouco o impacto de certas sequências.
Não chega a comprometer a experiência, mas é algo que pesa mais aqui do que nas temporadas anteriores.
No fim das contas
A terceira temporada de Jujutsu Kaisen não tenta repetir a fórmula que já deu certo. Ela expande, complica e exige mais de quem está assistindo.
Isso pode não agradar todo mundo, mas para mim, funcionou.
Mesmo com um ritmo irregular em alguns momentos, a combinação de direção, construção de mundo e complexidade das batalhas faz com que o anime continue se destacando dentro do gênero.
E com um episódio final que realmente supera expectativas, fica difícil não sair dessa temporada com a sensação de que Jujutsu Kaisen já não está mais tentando alcançar os grandes, ele já faz parte deles.
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