REVIEW | UFOPHILIA

REVIEW | UFOPHILIA

Quando comecei UFOPHILIA, a premissa imediatamente me chamou atenção. Jogos de investigação paranormal já são relativamente comuns, mas quase sempre lidam com fantasmas, demônios ou algum tipo de entidade sobrenatural. Aqui, a proposta é diferente: em vez de caçar espíritos, eu assumo o papel de um investigador especializado em atividade alienígena.

A ideia é simples, mas curiosa. Sou enviado para investigar um local onde algum tipo de visitante extraterrestre pode estar se manifestando. Meu objetivo não é derrotá-lo nem expulsá-lo, mas sim identificar qual espécie está presente e registrar evidências, principalmente fotografias.

Na prática, UFOPHILIA mistura investigação, exploração e alguns elementos de terror em primeira pessoa. E enquanto jogava, tive a sensação constante de que o jogo tem uma base interessante — mas também muitas limitações que impedem a experiência de realmente se destacar.

UFOPHILIA
Imagem via k148 Game Studio

Investigar o ambiente é a parte mais interessante do jogo

Cada partida começa da mesma forma: entro em um ambiente fechado, geralmente uma casa ou estrutura relativamente pequena, sabendo que algum alienígena está presente ali.

No início, a tarefa é simplesmente explorar. Ando pelos cômodos observando o ambiente e tentando perceber sinais de atividade estranha. Luzes podem piscar, objetos fazem barulho, equipamentos falham e alguns efeitos inexplicáveis começam a acontecer.

Esses pequenos eventos funcionam como pistas para descobrir qual tipo de alienígena está rondando o local.

O jogo me dá acesso a um laptop com um sistema operacional bem retrô, que lembra bastante os computadores dos anos 90. Nele posso consultar informações sobre cada espécie alienígena e entender quais sinais indicam sua presença.

Esse detalhe do computador antigo é um dos elementos mais charmosos do jogo. Ele ajuda a criar identidade e dá a sensação de que estou realmente conduzindo uma investigação meio improvisada.

Escolher os equipamentos certos vira parte da estratégia

Depois de reunir algumas pistas, preciso escolher quais equipamentos usar na investigação.

O detalhe é que só posso carregar dois gadgets ao mesmo tempo, então cada decisão importa. Alguns dispositivos ajudam a detectar anomalias específicas, enquanto outros revelam evidências mais diretas sobre o tipo de alienígena presente.

Nas primeiras partidas eu precisei experimentar bastante até entender quais ferramentas funcionavam melhor em cada situação. Depois de algum tempo, acabei desenvolvendo uma espécie de rotina: explorar o ambiente, interpretar os sinais e usar os equipamentos certos para confirmar minhas suspeitas.

Esse processo funciona bem e cria momentos de tensão interessantes.

game UFOPHILIA
Imagem via k148 Game Studio

Fotografar os aliens é o ponto alto da experiência em UFOPHILIA

Depois de identificar qual criatura está no local, chega a parte mais importante da missão: fotografar o alienígena.

E isso é bem mais complicado do que parece.

Para completar uma investigação, preciso conseguir quatro fotos claras da criatura, e elas geralmente não ficam paradas esperando. Muitas vezes preciso me aproximar lentamente, observar o comportamento do alienígena e escolher o momento certo para tirar a foto.

A primeira vez que encontrei um alienígena escondido em um quarto escuro realmente me pegou de surpresa. UFOPHILIA consegue criar bons momentos de tensão nesse tipo de encontro.

Infelizmente, conforme continuei jogando, percebi que esses sustos começam a perder impacto.

Repetição aparece mais rápido do que deveria

Mesmo com um loop de gameplay interessante, UFOPHILIA começa a mostrar suas limitações relativamente cedo.

Um dos principais problemas é que apenas um local está disponível no início do jogo. Mesmo com pequenas variações nas investigações, passar muito tempo explorando o mesmo ambiente faz a experiência começar a parecer repetitiva.

Outro fator que senti falta foi a ausência de modo cooperativo. Jogos de investigação desse tipo costumam funcionar muito bem quando mais pessoas participam da busca por evidências. Jogar sozinho o tempo todo acaba deixando tudo um pouco menos dinâmico.

Também encontrei alguns problemas técnicos durante minha experiência. Em certos momentos o jogo apresentou glitches, especialmente quando eu tentava fotografar os alienígenas.

jogo de terror UFOPHILIA
Imagem via k148 Game Studio

UFOPHILIA: um visual simples que não tenta impressionar

UFOPHILIA claramente não tenta competir visualmente com jogos maiores.

Os ambientes são funcionais e os modelos dos alienígenas são competentes, mas muitos objetos parecem ter sido retirados diretamente de bibliotecas de assets. Em alguns cenários isso fica bastante evidente.

Também notei alguns problemas de clipping ao explorar áreas maiores.

Por outro lado, o design de som funciona muito bem. Ruídos estranhos, interferências e sons inesperados ajudam bastante a criar tensão durante as investigações. A ausência de uma trilha sonora constante também reforça a sensação de isolamento.

Entre boas ideias e limitações

Depois de algumas horas com UFOPHILIA, fiquei com a sensação de estar diante de um jogo com boas ideias, mas execução limitada. A proposta de investigar atividades alienígenas e reunir evidências fotográficas funciona e cria momentos interessantes, principalmente quando o jogo consegue construir tensão antes de revelar a presença de uma criatura.

O problema é que essa boa base não evolui tanto quanto poderia. A repetição de ambientes aparece cedo demais, alguns problemas técnicos atrapalham momentos importantes e a apresentação visual raramente impressiona. Com o tempo, a rotina de investigação começa a parecer mais mecânica do que intrigante.

Ainda assim, existe algo curioso na experiência. O foco em identificar espécies alienígenas e montar estratégias com equipamentos diferentes mostra que o jogo tem personalidade dentro do subgênero de investigação em primeira pessoa. Com mais variedade de cenários, maior polimento técnico e talvez um modo cooperativo, UFOPHILIA poderia facilmente ter se destacado muito mais.

Do jeito que está, ele acaba sendo um jogo com uma ideia interessante no centro — mas que nunca chega a explorar todo o potencial dessa proposta.

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